Eu queria te levar na mala.

“Eu acredito no amor que a gente faz dar certo…quando é pra dar certo”.

     Era segunda – feira, final da tarde, havia acabado meu expediente, resolvi caminhar um pouco e acompanhar uma amiga de trabalho até a esquina próximo do tubo onde pego ônibus… Quando de repente ela começa a dizer as coisas que estavam guardadas, “uma breve história de paixão mal resolvida”, dessas que a gente fica torcendo pra dar certo, dessas que a gente fica ouvindo por mais longa que seja, só pra saber o final. Ela me contava rindo, como alguém que estivesse vivenciando a mesma história todas as manhãs. E então ela relatou, quando estávamos passando na frente de um bar, e foi logo dizendo – Meu Deus! Eu lembrei de uma história, e eu, que quase nem gosto de ouvir as coisas da vida alheia, pedi logo que ela me contasse. E então ela começou…

    Ele estava sentado logo ali (apontou para um canto do bar, enquanto passávamos),eu estava caminhando por essa rua quando olhei para o lado e vi ele, ele que tanto me “atormentava” na época que estudávamos junto na quinta série, abriu um sorriso como quem diz – Vem aqui, me dá um abraço … Mas eu passei reto, acenei com a mão e devolvi o sorriso. Chegando em casa, procurei pelo perfil dele nas redes sociais e olhei umas duas vezes, e o mais rápido possível fui contar pra alguém, então chamei a vizinha que também era minha amiga, ela esperta sugerindo que eu encaminhasse uma mensagem como quem não quer nada, só para puxar conversa, mas eu não fiz isso, afinal… não tinha atitude para isso. Dias depois, eu havia passado pelo mesmo local, e lá estava ele, só que acompanhado por uma amiga, e eu também estava acompanhada, sem hesitar eu falei com ar de graça para ele –  Não sai mais do bar ? Rimos, e continuei a caminhar…   Foi uma coisa breve, tão breve… mas o suficiente para desencadear uma série de sentimentos que estavam lá, parados; assim que cheguei resolvi mandar uma mensagem, dizendo a mesma coisa; em seguida ele me respondeu dizendo – Você está tão linda, uma pena eu ir embora para a Austrália! Se eu ficasse por aqui, certamente ficaríamos juntos. (EU OUVI AQUILO INDIGNADA, E DISSE NO MEIO DA RUA – COMO ASSIM VOCÊS NÃO VÃO FICAR JUNTOS?) Ela deu um sorriso triste, desses que a gente compreende e diz logo em seguida “não fica assim, to ligada que a vida tem dessas coisas”; e pedi que ela continuasse…

   Por conta das nossas conversas diárias antes que ele fosse para a Austrália, ele me chamou para sair numa sexta – feira, mas nada deu certo; pensamos no domingo, mas eu tive um dia muito cheio e acabou que não saímos, fora que ele teve muitos compromissos por conta da viagem, e como se fosse o pingo d’água… eu não consegui ver ele. Chegou quinta-feira, era inevitável, esse que esse dia chegaria ! Estava tudo planejado “A despedida”, e pra deixar marcado na minha história de paixões perdidas, a despedida foi exatamente no bar, onde eu o vi sorrindo depois de anos de perseguição na escola –  Irônico não ? Ele gostava daquele lugar, dizia ser simples e legal, e de fato era… Confesso que eu tentei me convencer para não ir, como eu iria me sentir ?  deslocada ? perdida no meio de pessoas que talvez eu nem conheça, saí do meu trabalho e disse que iria dar um “pulinho”, para vê-lo pela última vez… Chegando no local, ele logo veio e pediu pra que eu ficasse do lado dele, o tempo todo com um gesto simples, mas que me lembro até hoje, segurando na minha mão, como se fosse o último dia … E era. Foram tantos elogios, que acho que me recompensou pelas piadas sem graça da escola, chegamos até a brincar que ele iria trabalhar de “pedreiro” na Austrália (rimos). Eu não sou mais uma criança, sabia que poderia me machucar, afinal eu sabia que ele era um cara legal, mas era alguém que não estaria ali amanhã, onde ficariam meus sentimentos ? Então eu meio que não quis expor o que estava sentindo…

   Eu sei que você está se perguntando onde essa história vai acabar, e na expectativa de que acabe com um final feliz. Quem dera que as coisas sempre tivessem finais felizes…

Estava ficando tarde, em meio todos esses elogios, o gesto simples do pegar nas mãos, e a extremidade fria que ficou na minha barriga por estar feliz com ele, aconteceu o nosso primeiro beijo, aconteceu o abraço, aquele abraço que a gente quer morar dentro, aconteceu o cheiro do nosso perfume se misturando, aconteceu a nossa primeira e última foto, aconteceu o que tinha que acontecer pra que eu me lembrasse disso até hoje, e sentisse saudades … Estávamos juntos como se fôssemos namorados, até o final da festa, o pai dele foi meu sogro por um dia, o garçom foi o cara que concordou quando ele perguntou empolgado – Formamos um belo casal não ? E ele concordou dizendo que sim. E, no final história, lá estava eu, na frente de casa, deixada por um cara que eu conhecia a anos, mas que deveria ter conhecido da forma certa. Um beijo de boa noite e de despedida, e uma frase dita “Eu vou sentir saudades de você”.  E hoje somos amigos, de longe… mas somos.


 – Essa é mais uma história que poderia ter dado certo, se não fosse pela distância que os separava, eu perguntei a ela, se por um acaso ele ainda ocupava um espaço, ela afirmou que sim, mas que não era algo que fazia ela sofrer, pois chega uma época da vida que nós temos que saber administrar o que sentimos e devemos agir com maturidade diante de coisas assim… não seria impossível que ela o amasse e que ele a amasse, mas eles precisariam estar próximos pra que tentassem e pra que pudessem descobrir isso. Como ele tinha planos fora do país, e a deixou aqui no Brasil, não havia o que fazer se não, se conformar. Afinal, é muito longe! Eu ouvi essa história, e resolvi relatar porque essas coisas que acontecem e marcam as nossas vidas, devem ser valorizadas, devem nos servir pra aprender a valorizar quem está próximo, e lembrar que algumas coisas NÃO ACONTECEM  na nossa vida porque realmente não é pra ser, ou porque a gente não se permite. 

AUTORIA: Karina de Melo

A pessoa que relatou isso pediu para não ser divulgada.

 

Um bilhete, sobre coisas que a gente não sabe.

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Porque nos importamos ?

 “Se eu pudesse colocar algo na mente de uma criança, eu diria a ela –  Aproveite sua infância, brinque, rale os joelhos, porque depois passa, e passa muito rápido! E quando crescer, por favor, seja uma boa pessoa”.    

Porque nos importamos tanto com o que dizem ?  Porque essa necessidade de dizer ? Somos tão jovens, uns pouco jovem e outros muito jovem, tanta coisa pra se viver, tanta gente pra conhecer, pra abraçar, pra cuidar, pra amar, pra trocar histórias; mas tanta preocupação com a vida alheia, que eu não consigo entender; são dores tomadas, opinião alheia não formada por si mesmo, mas pelo que se escuta, de alguém que muita das vezes nem sabe o que diz – Porque vocês não vivem ? “Eu fico me perguntando”, porque essa obrigação?  Esse fardo de ter que provar quem está certo ou errado? Tem tanto lugar bonito pra conhecer, gente bonita pra conversar, música boa pra ouvir, piadas pra contar – Vai viajar! Sei lá. E ainda que alguém diga “Você não vai conseguir mudar isso”, não, mas eu acredito em pessoas melhores, e conheço pessoas melhores, que pouco falam, mas que vivem intensamente, viajam, cuidam do seu gato, do seu cachorro, da sua planta, da sua vida (principalmente) e consegue estender as mãos para o próximo, independente da religião, da sexualidade, da cor da pele ou do cabelo. É na crise que aprendemos com o erro. Porque se você não aprende por bem, a vida mostra como funciona de acordo com o que você planta, diminuir alguém, expor uma pessoa sem que ela possa se defender, é um ato de covardia.

mas nesse mundo de gente, tem gente que não vive, mas sobrevive com a história dos outros.  

 – Karina de Melo, um comentário de coisas que acontecem no dia a dia.

Integralidade

Ser Jovem a vida inteira.

Sê Jovem.

Sê e Ser, é só o que importa.

Jovem é saber ser. Sê.. apenas Sê.

Sê, enquanto fores.

Sê, até quanto puderes ser.

Sê, para apenas ser.

 

Ser jovem durante a vida.

Se deixa sê e brinca.

Brincar de ser enquanto jovem.

Sê-lo por inteiro e seja.

O amor é um ato de coragem em um mundo repleto de covardes


Estamos tão trancados em nós mesmos que não sabemos mais sair, por causa dos traumas anteriores, das grandes cicatrizes que estão em nossa alma, simplesmente fugimos do mundo e corremos para o único lugar que pode nos acolher, o nosso mundo interior. Decoramos como se fosse uma casa nova, afirmamos para nós mesmos que estamos muito bem, que podemos passar toda essa existência sozinhos sem ninguém, mas com o passar do tempo a nossa certeza passa, tudo fica pequeno demais, sem graça demais. O mundo lá fora é enorme, mas olhamos tudo pela janela melancólica, os sorrisos vão sumindo e não sabemos mais nos comportar direito, não sabemos o que dizer para uma pessoa nova. As nossas palavras estão desnutridas e frias.

É quase o contrário da 1°, estamos cercados de possíveis amores, elogios em grandes quantidades, dezenas e dezenas conversas simultâneas. Redes sociais infladas, alguns encontros em que a nossa ideia é manter os laços frouxos (como bem diz Bauman) para podermos escapar e ir buscar o novo, é estranho, dizemos que estamos esperando uma pessoa especial, que nos traga aquela sensação louca de amor, mas na verdade é que estamos sempre adiando isso, sempre fechando as portas para as pessoas que querem nos amar. Depois de um tempo tudo fica tão superficial, mas não conseguimos acabar com esse vício e acabamos sozinhos em um quarto olhando para o teto pensando: O que deu errado? Covardia de mergulhar profundamente, pois desaprendemos nadar.

Pessoas presas em histórias de amor que naufragaram, são muitas pessoas boiando em um mar sem vida agarradas a um destroço, uma lembrança do início, onde esse amor se mostrou como uma história forte e capaz de resistir ao tempo, mas há muito tempo ela ruiu, não houve um grande incidente (traições, mentiras etc.) simplesmente o barco não aguentou. E por medo de machucar uma pessoa, machucamos a nossa vida sem piedade, serramos as nossas asas, mas nossa mente ainda deseja o céu, uma vida repleta de intensidades e amor. Não temos a rebeldia necessária o tempo nos acovardou.

O amor é para os heróis e o heroísmo é um ato de coragem.

 

TextoOriginal: http://www.entendaoshomens.com.br/o-amor-e-um-ato-de-coragem-em-um-mundo-repleto-de-covardes

Zack Magiezi

One Ticket.

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Mais um, de vários.

  • One Ticket, Clara.